Meu cabelo crespo, uma história sobre o preconceito. Jaíne, mora em uma cidade pequena do interior de São Paulo, vem de família humilde onde a maioria é negra ou descendente. Cresceu brincado nas ruas, parques e casas de amigos em sua cidade. Uma menina aparentemente feliz e brincalhona que neste ano já está matriculada para seu primeiro ano no ensino fundamental, ainda não sabe ler nem escrever, mais deseja muito isso. Ouve muito seus pais falarem: - nossa filha Jaíne vai ser professora ou vai ser Dra. o que ela quiser, ela gosta muito de ir à escola e de brincar com os livros. De fato, Jaíne gosta muito de ir a escola, ali tem alimento em todas as refeições, pode brincar com seus amigos, segurança e admirar as belas letras na lousa formando palavras, palavras formando texto e contando histórias que a menina adora ouvir.
A pequena sempre muito esperta sempre observava a diferença entre ela e seus amigos, cores de suas peles, cores e formatos de seus cabelos, pensava somos diferentes, não gosto do meu cabelo. Os outros parecia não se importar mais sempre pelos cantos ouviu o cochichar, neguinha do cabelo duro, e outros nomes, isso a entristecia, no pensamento dizia: - não gosto do meu cabelo.
Em casa durante o banho a mãe toda caprichosa lava seus cabelos, passava um hidrante em seguida desembaraçava, fazia uma trança, fazia duas marias-chiquinhas e tantos outros penteados uma gracinha de se ver. A pequena falava mãe, não gosto do meu cabelo e ninguém gosta, acha feio fala mal pelos cantos. Naquela época 30 anos atrás, o que era o bullying? Uma palavra desconhecida, mais o preconceito, este sim, com significado bem explicado e experimentado por pessoas de pele escura e cabelos crespos. A mãe de Jaíne não se importava dizia: - Não se entristeça minha filha seu cabelo é lindo e diferente. Jaíne não se contentava queria que seu cabelo fosse como os das outras meninas, lisos, não importava a cor mais liso.
O tempo passou a menina, em meio os preconceitos com seu cabelo crespo foi crescendo e aprendendo a ler e escrever. Um dia na escola a professora pediu para que cada aluno escrevesse uma redação sobre um tema livre. Jaíne pensou logo em escrever sobre seu cabelo crespo e como ele era motivo de chacota entre seus colegas. Ela começou assim:
"Meu cabelo crespo é diferente dos outros cabelos. Ele é enrolado, volumoso e cheio de personalidade. Eu gosto dele assim, mas nem todo mundo gosta. Muitas vezes eu sofro com os apelidos maldosos que me dão na escola: neguinha do cabelo duro, bombril, palha de aço e outros que me magoam muito. Eu não entendo por que eles fazem isso comigo. Será que eles não sabem que meu cabelo faz parte da minha identidade? Será que eles não sabem que meu cabelo é bonito do jeito que é? Será que eles não sabem que meu cabelo tem história?"
Jaíne continuou escrevendo sobre como seu cabelo era herança dos seus ancestrais africanos que foram escravizados no Brasil e como ele representava a resistência e a luta contra o racismo. Ela também escreveu sobre como seu cabelo era versátil e podia ser usado de várias formas: solto, preso, trançado, com acessórios e até alisado se ela quisesse. Ela terminou sua redação dizendo:
"Meu cabelo crespo é uma parte de mim que eu amo e respeito. Ele me faz única e especial. Ele me faz forte e orgulhosa. Ele me faz feliz e bonita. Eu não quero mudar meu cabelo por causa dos outros. Eu quero mudar os outros por causa do meu cabelo. Eu quero que eles vejam a beleza e a diversidade dos cabelos crespos. Eu quero que eles aprendam a valorizar e a respeitar as diferenças. Eu quero que eles saibam que meu cabelo crespo é uma história real sobre o preconceito, mas também sobre a superação."
📑📌 Este artigo é um conto fictício sobre as Janaínas Brasileiras, se você se identificou ou já sofreu preconceitos e sente a vontade deixe um breve relato nos comentários, adoraria ler.Beijos!

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